Maio 15, 2008

Feira do Livro

Vivo em Lisboa e não vou à Feira do Livro há alguns anos. Cansei-me. A última vez que lá fui foi para comprar um livro lançado no mercado pouco tempo antes da sua abertura. Esperei um mês pela Feira para conseguir o tal desconto. Fui lá no segundo dia para o comprar, pois tinha um trabalho urgente para apresentar. Disseram-me que descontos só a partir do segundo mês do lançamento, o que inviabilizada a sua compra na Feira. Achei que estava a ser enganado. Agora, compro livros tranquilamente ao longo do ano, em livrarias ou grandes superfícies, sem stress. Deixei de ir à Feira do Livro. Além de não ter nada de novo, sinto que ninguém faz nenhum esforço para melhorar as coisas. Velho por velho acho mais piada à Feira da Ladra. Agora a guerra envolve a recém-chegada Leya, a mega editora. A primeira impressão é que a polémica entre a Associação Portuguesa de Editores e Livreiros (APEL) e a Leya não leva a lado nenhum. Até compreendo a luta entre os pequenos editores e os novos gigantes do sector. Mas há também há a luta entre o novo e o velho. A Feira está esclerosada e em decadência há anos. E não se soube renovar devido aos monos que a dirigem. A Leya não é obra que se cheire, mas apresenta inovação e vantagens para o consumidor, com preços agressivos. É bom que se perceba que esta é uma guerra comercial, que envolve muitos cifrões. Nada tem a ver com o consumidor nem com a tradição.

God Damn America!

Depois do fogo-de-artifício, de regresso à realidade. Portugal afinal não está imune à crise mundial. O crescimento previsível passa de 2,2% para 1,5% este ano. Más notícias para quem quer ganhar eleições mas afinal era algo que já se sentia no bolso dos contribuintes. Esta desaceleração nacional passa inevitavelmente pelo desempenho da economia mundial. É uma das consequências da globalização. Mas este contexto, em particular, tem um rosto: George W. Bush. Como é possível um retardado como é o actual presidente dos Estados Unidos conseguir criar uma crise interna com efeitos globais? É obra. O problema é que a União Europeia ainda tem um papel subalterno nesta história, não obstante ter um mercado maior do que os Estados Unidos. Daí a necessidade de se reforçarem os blocos regionais para fazer frente a dependências de países que andam à deriva. Não tenho nada a ver com isso. Não votei por Bush nem nunca pedi dinheiro emprestado a um banco norte-americano para comprar uma casa. Mas por que razão é que eu sou prejudicado pelo facto dos norte-americanos não conseguirem pagar as prestações ao banco? O problema do sub-prime é deles não meu. Por que razão a globalização me impõe um encargo e me dificulta a vida por algo que tem a ver com a falta de sanidade mental de um presidente? God Damn America!

Maio 14, 2008

Fadista actua no Zimbabwe

Quando vi a notícia nem queria acreditar. O fadista Helder Moutinho cantou o fado no Zimbabwe. A presença do irmão de Camané no país de Mugabe esteve integrada no "Harare International Festival of Arts". E eu a pensar que havia um embargo por parte dos artistas internacionais a eventos culturais num país regido por um ditador. Nem é preciso ser-se politizado, basta o senso comum. Acabam por ser mais um instrumento para branquear o regime. Mesmo sendo as embaixadas a financiarem, a participação nestes eventos organizados pelo governo do Zimbabwe não deixa de ser um insulto ao quotidiano de sobrevivência em que estão mergulhadas milhões de pessoas. Só a elite, ou seja, os próximos de Mugabe, têm acesso a festivais como este. No Zimbabwe, 80% das pessoas não têm trabalho. Já se perdeu a conta ao valor da inflação. As eleições foram viciadas. Os opositores políticos são agredidos e mortos. Não há liberdade de expressão. É preciso dizer mais alguma coisa?

Sócrates não inalou!

É um destaque infeliz. Para o jornal Público, o facto de Sócrates fumar e Cavaco deixar fumar nos aviões torna-os fora da lei. Que raio de notícia é esta? A moral e a hipocrisia tomaram conta do jornal? Sócrates fumou no avião para a Venezuela. Eu vi, sai uma cacha. Uma estória ao nível do secretário-geral do PSD, Ribau Esteves, que diz: "bem prega frei Tomás...". A notícia diz que Sócrates não fumou uma vez, mas sim três, e à descarada. Que arrogante. Para a TAP, fumar num voo fretado é tão "normal" como solicitar uma "refeição especial". Quem paga, manda. Os ingleses chamam a isso "Keep The Customer Satisfied". Mas isso não tranquiliza os puristas do Público. Para "enquadrar a notícia", além dos Ribau Esteves, chamaram logo os constitucionalistas. Estes não têm dúvidas: Sócrates, violou a Lei do Tabaco. Já imaginaram se o PM levasse a namorada e dava uma rapidinha na casa de banho. Crime, dizem eles. Os aviões são meios de transporte, não são bordeis. A intenção manifestada não se enquadra no objecto da companhia. O que se passa na cabeça dessa gente? Será por ser Maio, mês de Fátima e de Futebol? Sócrates bem pode fazer como Bill Clinton: "I didn't inhale."

Maio 13, 2008

Banksy

Banksy é o artista de graffittis mais conhecido do mundo. Os seus trabalhos encontram-se principalmente nas ruas de Londres. É fácil encontrá-los, pois Bansky já conquistou estatuto municipal. Começou as aventuras pictóricas em Bristol integrado no Bristol's DryBreadZ Crew. Ninguém sabe o seu verdadeiro nome e os pais pensam que que é decorador. Os seus trabalhos já chegaram às galerias de Londres e Nova Iorque por iniciativa dos marchand d’art, sempre á procura de novidades. Os graffittis de Banky são caracterizados pela crítica social e política, em versão light ou mordaz. Faz da provocação o isco para interagir com quem passa.

Partida

Vi demais.
A visão se revê pelos ares.
Tive demais.
Sons de cidade, à tarde, e ao sol, e sempre.
Soube demais.
As paradas da vida.
- Ó sons e visões!
Partida entre afectos e ruídos novos!
Artur Rimbaud, in "Iluminuras", 1886

Maio 12, 2008

A crise

Estou à beira de uma depressão. Não me estou a sair bem nos negócios e o fisco está-me a levar couro e cabelo. Eu sei que o meu passado é de risco. Perdi o Mercedes no casino, os meus títulos andavam a tapar o chão do escritório do Pedro Caldeira e até ao monopólio perdi a Rua do Ouro. Em tempos investi na Pararede. Uma bolha que explodiu. Ultimamente investi no imobiliário nos Estados Unidos. Sou um azarado profissional. Devia ter comprado acções de empresas petrolíferas e de cereais. Mas já sei. Se as comprasse, começavam logo a descer. Má sina a minha. Continuo a pagar impostos desalmadamente e não utilizo os serviços públicos. A minha mulher fugiu para o Qatar com um joalheiro. Mandei os meus filhos para uma escola dos Hare Krishna para não sobrecarregar o Estado. Nunca chamei a polícia nem nunca usei a prisão. Nunca pedi a um jacto da Força Aérea para me levar a Paris nem um barco da Marinha para me deixar em Las Palmas. O que uso mais é a linha branca nas auto-estradas. De resto, o Estado nunca perdeu comigo, nem eu queria. Por ser um cidadão exemplar é que comecei a investir. Disseram-me: "não trabalhes, põe o dinheiro a trabalhar para ti." Foi isso que fiz. Só que ele desapareceu e eu não sei fazer nada. Agora os impostos querem levar o pouco que ainda tenho. Até já mandei a minha sogra para a Guiné Equatorial procurar oportunidades no negócio da madeira. Nunca mais disse nada o que é um bom sinal. Ontem fui a um psiquiatra para me acalmar. Tive uma hora a explicar-lhe como investir no Nasdaq. No fim levou-me 140 euros. O tipo tinha pinta de maluco. Aconselhei-o a ir para o Iraque. Por lá, o mercado está em alta. Vou comprar uma garrafa de Cardhu e desabafar com a vizinha de cima. O marido não está em casa. É joalheiro e faz tempo que não aparece.

Rui Costa

Rui Costa despediu-se dos relvados em ambiente de festa. A equipa do Benfica despediu-se da época ao som da marcha fúnebre. O número 10 encarnado foi substituído debaixo de uma ovação de mais de 50 mil pessoas. Os jogadores benfiquistas acabaram o campeonato com uma vaia silenciosa de mais de um milhão de adeptos em todo o mundo. Para Rui Costa foi uma despedida emocionada. Já para os 11 foi uma saída envergonhada. Rui Costa abandona os relvados após 18 anos como jogador profissional. Tiro o chapéu.

Agualusa debaixo de fogo

A polémica já tem algum tempo mas em Angola as feridas continuam por sarar. Estou a referir-me a José Eduardo Agualusa. É um dos escritores angolanos mais conhecidos e a sua frontalidade ainda incomoda muita gente. Recentemente, a polémica rebentou devido a uma entrevista que o escritor concedeu ao jornal Angolense, na qual atacava de forma frontal a poesia de Agostinho Neto. O terramoto veio a seguir. Aparentemente acalmou. Porque considero interessante ter uma ideia da polémica vista através dos seus intervenientes angolanos, aqui vão uns excertos recolhidos no Jornal Savana.

Jornal Angolense: A inexistência de bolsas será uma “boa” razão por que não vemos muitos escritores angolanos a publicarem as suas obras?
José Eduardo Agualusa: (...) O fundamental, como em tudo na vida, é a paixão. Em Angola o problema principal tem a ver com a carência de livros. As pessoas, mesmo os escritores. A mim impressiona-me nos inquéritos as pessoas indicarem como escritores preferidos escritores angolanos. Pode fazer muito bem ao nosso ego, mas a verdade é que a nossa literatura é incipiente, quem realmente goste de ler vai indicar escritores de outros países, com obra feita. Uma pessoa que ache que o Agostinho Neto, por exemplo, foi um extraordinário poeta é porque não conhece rigorosamente nada de poesia. Agostinho Neto foi um poeta medíocre. O mesmo se pode dizer de António Cardoso ou de António Jacinto. Foram todos eles grandes figuras do nacionalismo angolano, e eventualmente muito boas pessoas, não sei, não conheci nenhum deles, mas eram fracos poetas. Ruy Duarte de Carvalho é um bom poeta. Ana Paula Tavares tem um trabalho muito interessante.
Entrevista de José Eduardo Agualusa ao Jornal Angolense

O comerciante desalmado
(...) O senhor José Agualusa tem o direito de dar a sua opinião. Mas não pode dizer que quem considera Agostinho Neto um grande poeta “não percebe rigorosamente nada de poesia”. Quando a arrogância se associa à ignorância e ao despeito, só pode dar Agualusa. Mas por muito que lhe custe, o império colonial caiu mesmo e já não volta a ressurgir dos escombros. E nem o facto de ser um angolano tardio ou um balbuciante empregado de balcão no difícil comércio das palavras lhe desculpam o atrevimento e a cobardia de bater em quem não pode defender-se. O que me deixou mais preocupado na entrevista de Agualusa foi ter-se refugiado na amizade de Mena Abrantes e João Melo. O moço agrediu, cuspiu e depois foi avisando que tem amigos no campo das letras. Presumo que ambos perderam o sentido do olfacto. Caso contrário, quando recebem a visita de Agualusa, devem contorcer-se com vómitos. Cuidem da saúde, queridos companheiros!
Artur Queiroz in Jornal de Angola

Em defesa do José Eduardo Agualusa
(...) Quando o Agualusa diz que o Agostinho Neto foi um poeta medíocre não está, nem de longe, a questionar as suas credenciais como nacionalista angolano. Isto está fora de questão. A fusão do Neto-poeta com o Neto-político, muitas das vezes feita, é que resulta em afirmações intelectuais pouco firmes. Um bom político não é necessariamente um bom poeta e vice-versa. O senhor Artur Queiroz afirma que Agostinho Neto é universalmente reconhecido como grande poeta. Tenho dado aulas e feito conferências de e sobre Literatura Africana em várias partes do mundo. Muitos dos meus alunos e participantes dessas conferências nunca ouviram falar de Agostinho Neto. Isto é a verdade! Da África Lusófona só há dois escritores de que se fala muito: o moçambicano Mia Couto e o angolano... José Eduardo Agualusa.
Sousa Jamba in Semanário Angolense

Direito de resposta
Mobutu não gostava de calças à boca de sino. Mugabe odeia (e persegue) os homossexuais. No Chile de Pinochet, e em Moçambique, no tempo de Samora Machel, jovens com cabelo comprido não eram muito apreciados pelo regime. No seio do partido no poder confrontam-se hoje em dia democratas autênticos, democratas de fantasia – que ainda há poucos anos defendiam o sistema de partido único –, e uma mão cheia de órfãos da ditadura, mortos-vivos que não conseguem adaptar-se aos novos tempos e insistem em classificar como traidores à pátria todos os que se atrevam a contestá-los. Partido e pátria são para estas pessoas exactamente o mesmo, ou, ao menos, o partido constitui uma extensão da pátria. Estes zombies são hoje, dentro do MPLA, um arcaísmo deselegante.
José Eduardo Agualusa in A Capital, semanário de Luanda

Sobre a poesia de Agostinho Neto
(...) Julgo que a comparação entre Agostinho Neto com outros poetas, feita por Agualusa e retomada por Sousa Jamba é patológica. Patológica porque toda a comparação que visa denegrir uns e valorizar outros não é comparação. A comparação deve resultar de uma perspectiva diferencial, ou seja, compreender o que cada um tem de diferente em relação ao outro e de que forma estas diferenças podem ser construtoras de sentidos epistemológicos ou de outra natureza.
Laurindo Vieira in Jornal de Angola

Maio 11, 2008

Ela vem

Eleanor, 1947
Fotografia de Harry Callahan
Ela vem
quando eu cerro as pálpebras pesadas
e apoio a cabeça na escuridão do desejado sono
Vem muito branca muito lenta
Fita-me calada
e muito direita
começa desatando seus cabelos negros
abre a boca num riso que eu não oiço
deixa cair o seu vestido todo
E enquanto eu olho fascinada o seu ventre coroado
de negro
seis homens pequeninos e muito encarquilhados
agarram suas seis tetas
e sugam-lhes os bicos
rosados e rijos de prazer

Ana Hatherly
in "antologia de poesia portuguesa erótica e satírica", ed.antígona 2005

Maio 10, 2008

Apito provisório aos barões

Ontem foi um dia histórico. Hermínio e a sua Liga fizeram escola no futebol português. Só espero que a aplicação de pesadas penas aos barões do futebol faça também escola. Já era tempo de alguém fazer alguma coisa contra esse submundo estranho onde rodam negócios, jogos de influências e muitos milhões à ordem de meia dúzia de senhores. Tudo indica que Hermínio Loureiro quer com este apito final por ordem no futebol. A seu lado está o justiceiro Ricardo Santos Costa, um advogado que, ao que parece, sabe o que faz. Já é o ódio de estimação dos barões. O jurista fundamentou as punições aos clubes até ao mais ínfimo detalhe. Mas o que agora parece bom, pode saber a amargo dentro de algum tempo. As acusações agora avançadas contra o FC Porto e Pinto da Costa, o Boavista e João Loureiro, e a despromoção da União de Leiria, podem dar em nada. Porque agora o processo "Apito Final" vai entrar na fase dos recursos, com efeito suspensivo. Podem já interpor uma providência cautelar. Se o advogado Ricardo Santos Costa fez deste processo uma questão de honra, ao entrar para a via judicial normal o processo cai num buraco sem fundo. Significa que as decisões finais dos tribunais vão ficando adiadas para as calendas gregas. Conclui-se que este apito provisório pode entupir dentro de algum tempo.

Maio 09, 2008

À procura de Jean-Luc Godard

Está um sol brando na capital. Sentados à volta de uma mesa no Café Maputo, a conversa entre os habitués do costume gira à volta de Jean-Luc Godard. Está em Moçambique. O herói que assinou muitas sessões de cineclube mora na mesma rua que nós. A Julius Nyerere está cosmopolita. Entre os radicais da Côte d'Azur maputense a curiosidade é grande. Como será a personagem que assina filmes que geram controvérsia, agitação, zangas, bebedeiras e reconciliações tardias? Mais uma vez, o dia está a começar ao fim da manhã. A conversa decorre indolente e a discussão leva rapidamente a esquecer outros compromissos. A "nouvelle vague" está ultrapassada? Nunca. E o neo-realismo italiano? Jamais. Nunca se renega a renascença. No grupo está o Zé Cabral, a Pureza, o Miranda, o Steiner e dois experts em cinema do leste europeu, que não me lembro dos nomes. Enquanto se esclarece a relação entre a cadeira do Américo Soares e a escadaria no Couraçado de Potemkin eis que chega o Kok Nam. Olha para nós, ri e diz: "vocês já estão lindos, a esta hora. Tenho de bater uma foto ao grupo." Com um sorriso de chinês irónico, lá tira as fotografias no meio dos nossos protestos. Quando a Paula Granja chega, duas horas depois, a discussão está quente. "Ó pá, vocês vão ficar aqui? Embora beber um copo na marginal...", diz ela sentada da sua Honda 100 como se fosse Silver, o cavalo do Zorro. A proposta gera alguma instabilidade, pois o Café Maputo pouco tem para comer. Há esfomeados. O grupo divide-se com uma promessa: "como o Jean-Luc Godard vai estar em casa do Fernando Silva logo à noite, vamos lá beber um copo...". OK.
Pouco tempo depois, estamos sentados num bar da marginal, a comer um alto bife. Por estranho que pareça, come-se pouco peixe. Esta dieta veio forçada e em forma de carapauzinho, poucos anos depois. O Manolo passa por ali e dá-nos a sobremesa. Diz que é da Gorongosa. O cenário está-se a compor. Pouco depois a boa disposição toma conta do grupo. Tudo tem piada e o riso é inevitável. A loucura corta as amarras do neo-realismo. Estamos por nossa conta. O Polana foi o poiso seguinte. Para ver o pôr-do-sol e beber mais um copo. Resultado. Acabamos por jantar por lá. O vinho da casa é Periquita 13º. Uma pomada. Nesta fase, os membros do grupo já são flutuantes, mas o núcleo duro mantem-se firme. Os aperitivos são no bar do Pinto. De repente alguém se lembra: "então, vamos ver o Godard, ou quê?". A resposta é inevitável: "Quê!!! O gajo está cá amanhã. Está tudo nice." Não me lembro como cheguei a casa. De manhã, a minha cabeça tem o peso da bomba de Hiroshima... mon amour? Fiz um rewind na minha cabeça para perceber como é que ela tinha chegado aqui. Ok. A minha paixão da noite anterior está ao meu lado. Engraçado. É menos bonita à luz do dia. Depois do amor, saímos de casa e vamos para o café Maputo. No caminho encontro o Kok Nam. “Joe, as fotos..? Com um smile diz: “man, a noite foi longa…”. Eis que passa a Teresa Maluca com a Fernanda num carro cheio de grades de cerveja. Pergunto-lhe se tinha estado com o Godard. "Pá, ontem não deu, estava já muito grossa. Mas o gajo foi embora hoje...". Porra. Grande bring down. Perdemos um encontro único. Se a nossa noite anterior fosse filmada podia enquadrar-se na corrente da “new freak school.”

No SEF com José Magalhães

Ainda dizem que neste país não se faz nada. Passei pelo blogue do Ministério da Administração Interna, e fiquei de boca aberta. Não é que o Zé Magalhães, Secretário de Estado da Administração Interna, despachou tudo isto num só dia? Melhor. Numa manhã e parte da tarde no SEF, "a despachar processos de legalização excepcional, um a um, como deve ser", diz ele. Ainda dizem que os governantes são uns calões. Só de ver a fotografia fiquei cansado. Mas reparando melhor, não são nove montes de processos, ó Zé. Há fotografias repetidas. Se cada monte tem duas fotografias dá 4,5. Se a cada monte corresponder um processo são quatro ou cinco. Se as fotos forem de diferentes ângulos, podem ser dois ou três. Afinal em que ficamos? Ó Zé Magalhães, tanto tempo para despachar um processo?

Maio 08, 2008

Geldof and Africa

Eduardo dos Santos gosta de Bobs mas não de todos. O presidente angolano prefere democratas como Bob Mugabe a tiranos alcoólicos como Bob Geldof. Angola é um grande país. Tem um pequeno grupo de pessoas muito ricas e a maioria muito pobre? Paciência. Há milhares de pessoas a morrer de doenças por não terem acesso aos cuidados básicos? "São as nossas insuficiências", afirma o camarada presidente. Bob G. não disse só que Angola estava ser governada por criminosos. Deu exemplos. Um deles foi que "as casas mais caras do mundo estão a ser edificadas na baía de Luanda". Não só é verdade como há compradores. Muitos são angolanos, ligados ao presidente ou à filha. Outros são estrangeiros, curiosamente também ligados ao presidente ou à filha. O Banco Espírito Santo ficou embaraçado com Bob G. devido aos negócios que passam...pelo presidente ou pela filha. O BES está metido no petróleo, diamantes, cervejas, agricultura, imobiliário e obras públicas, aviação e pescas. Angola é business e política à antiga. E falando em política. O barco chinês "Na Yue Jiang", literalmente o barco do amor, continua à espera na baía de Luanda para descarregar armas para o Zimbabwe. Nenhuma autoridade angolana o impediu de atracar e reencaminhar a mercadoria para Mugabe. Este e Zedu são brothers. Bob M. continua a governar sem ter sido eleito. Eduardo dos Santos também. Só que este não está preocupado com eleições presidenciais. Bob M. até estava, só que o tiro saiu-lhe pela culatra. Mas ele é um histórico. Eduardo dos Santos gosta de históricos, como ele e a sua filha. Gosta também do histórico Bob M. Mas não gosta de Bob G. É branco, inglês, arruaceiro e esquerdista. Seria amigo do Nito Alves, se fosse vivo. Angola governada por criminosos??? Inglês burro. Todos têm o registo criminal limpo. Mete um requerimento e vais ver. Nem sequer o roubo de uma galinha está lá escrito. Limpo, "do you know what I mean"?

Humberto Delgado em mau estado

Uma nova investigação concluiu que afinal Humberto Delgado foi espancado até à morte e não foi morto a tiro. De acordo com o neto do General, a autópsia feita pelos espanhóis considera que foram várias "contusões cranianas" que provocaram a sua morte e não uma bala. Está tudo no livro "Humberto Delgado - Biografia do General Sem Medo". O mais grave foi o estado em que Frederico Delgado Rosa encontrou o processo referente ao assassinato do general pela PIDE. Numa cave do Tribunal da Boa Hora, empilhado no chão em caixotes e em péssimas condições de conservação. Este processo de 18 volumes poderia até já nem existir. Numa altura em que só se ouve falar em vanguarda tecnológica, há muita documentação que continua espalhada e empilhada em mil e uma caves deste país. E corre o risco de desaparecer por incúria de quem tem a responsabilidade de guardar essa informação. Tem o nome: o Estado. Os seus responsáveis gostam de glorificar as virtudes das novas tecnologias nas televisões. Tenham vergonha.

Maio 07, 2008

Humberto Delgado, o filme

10 de Maio de 1958. Café Chave de Ouro em Lisboa. Este é o primeiro acto público do candidato à presidência da República, Humberto Delgado. O espaço está cheio de personalidades dos mais diversos quadrantes políticos. São todos contra o regime de Oliveira Salazar. Depois da apresentação feita por Vieira de Almeida, o general Humberto Delgado apresenta-se como um candidato sem compromissos. Está pronto a receber os apoios de grupos políticos e de todas as pessoas que acreditem no seu programa. Humberto Delgado sabe os riscos que corre, mas não deixa de criticar duramente Salazar e a União Nacional. Questionado pelo correspondente da France Press sobre o que faria a Salazar se fosse eleito, a resposta foi rápida:
-"Obviamente, demito-o".
32 anos antes, Humberto Delgado tinha participado no golpe militar do 28 de Maio de 1926, que derrubou o regime republicano. Poucos anos depois deu lugar ao Estado Novo. Na altura era um entusiasta de Salazar. Mas progressivamente foi-se afastando do presidente do Conselho de Ministros. Pouco antes da sua candidatura, exerce funções militares nos Estados Unidos, o que lhe dá uma nova visão do mundo e percebe a importância da democracia. Agora como candidato à presidência começa a ser conhecido como o General sem medo. As manifestações de apoio vêem de vários sectores e desafiam o regime. No Porto e em Lisboa os apoios aumentam o que leva a uma subida da repressão policial. Américo Thomaz anuncia a sua candidatura e os comícios de Humberto Delgado alargam-se a todo o país. A 8 de Junho têm lugar as eleições presidenciais. É a primeira vez que um candidato da oposição chega até ao fim. Perante uma votação viciada e os resultados manipulados, Humberto Delgado perde. Para continuar a acção política, cria o Movimento Nacional Independente, mas pouco pode fazer. O regime de Salazar demite-o de todos os cargos. Perante a perspectiva de ser preso, Humberto Delgado refugia-se na Embaixada do Brasil em Lisboa. A 21 de Abril de 1959 parte para o Rio de Janeiro. Nunca mais volta a Portugal. Morre assassinado pela PIDE a 13 de Fevereiro de 1965.

Maio 06, 2008

Music for the people

The Raconteurs
Quem conhece Jack White dos "White Stripes" sabe o que vale. Aqui, juntamente com Brendan Benson, fazem maravilhas nas horas vagas. "Consolers of the Lonely" é o segundo álbum de originais deste super-grupo em part-time. Ecléticos e surpreendentes continuam a deslumbrar com blues alucinados, rock progressivo de peregrinações a Big Sur e guitarras em ressaca. Enfim, coisas do rock & roll. O que significa que é Bom.
Portishead
Estão associados ao trip-hop de Bristol dos anos 90. Mas neste terceiro álbum decidiram mudar. "Third" é um disco poderoso e épico, a tresandar um som industrial. Tem uma força que indicia um novos caminhos para um futuro desconhecido. Até a voz de Beth Gibbons surge mais encantada sem ser suave. Este terceiro trabalho representa um renascer das cinzas de um baú incinerado em 1997, com o álbum que continuou a magia de Dummy, Portishead.

Van Morrison
É daqueles criadores de sons que nunca cansa. Quem entra no mundo de Van Morrison dificilmente sai. O problema é que nunca é mais um disco que o cantor irlandês lança. Este é o álbum, embora seja o 33º da sua carreira. Chama-se “Keep it Simple”. As músicas foram gravadas só num "take", para tornar as sonoridades mais espontâneas. Este novo trabalho está salpicado de vários géneros, desde o country ao gospel, passando inevitavelmente pelos seus preferidos, o jazz e os blues.

Bon Iver
É uma álbum estranho pela sua beleza. "Emma, Forever Ago" é um disco intimista feito na solidão interior do Estado de Wisconsin e das caçadas para sobreviver. Criado numa reclusão intencional, o disco representa uma exposição emotiva de Justin Vernon, o autor. O som acústico das canções transmitem a excitação de um pôr do sol invernoso ou a doce melancolia de uma caçada. Há quem já considere este disco o álbum folk do ano. Não sei. Mas gosto do seu som pouco trabalhado e misturado com bluegrass e folk/rock progressivo.

Ligações

Já não participava nestes desafios há uns tempos. O convite veio do Zé Paulo, que agradeço. As regras da corrente são estas:

1. Dizer 6 coisas que não se importe de fazer ou de ter.
2. Colocar o link da pessoa que o "mimou".
3. Colocar as regras no blog.
4. Desafiar 6 pessoas, deixando um comentário nos seus blogs

.não me importo de usar cofió nas noites de inverno e calções de futebol nas noites de verão;
.não me importo de fazer um xiquembo à minina que não me quer nem à tia que não mi liga;
.não me importo de beber bazucas sem fim desde que o petisco seja camarão e a música no xirico seja da Alcione;
.não me importo de fazer amor na praia desde que a areia não se entranhe e a minina não seja alérgica ao mexilhão;
.não me importo de não gostar do Mugabe e faço figas para que ele nunca goste de mim;
.não me importo de ser amigo, irmão, companheiro, desde que isso contribua para a queda do preço do arroz;
Kanimambo

Os seis elos: 1, 2, 3, 4, 5, 6

Maio 05, 2008

Kids

Depois de tudo o que aconteceu com Maddie e os McCann, eis que um casal britânico cai à entrada do hotel em coma alcoólico. Ele não passou no sofá do Hall de entrada. Ela caiu à entrada do elevador. Até aqui tudo bem, pois são maiores e vacinados. Só que eles têm três filhos pequenos à sua responsabilidade e que estavam com eles. As autoridades actuaram como qualquer país civilizado faria: retirar as crianças aos pais e entregá-los a uma instituição até os vapores do álcool desaparecerem. Tudo isto aconteceu no primeiro dia de férias no Algarve. Por muito stress ou muita sede que se traga, há que ter o mínimo de responsabilidade. O caso está a ser avaliado pelo Tribunal e o casal pode responder por um crime de exposição ou abandono. Há que ter juízo. Depois desta lição de moral fiquei com sede. Até já.

A arte da irrelevância

O "directo" é o maior incentivo à preguiça que se conhece. Dispensa trabalho e reflexão

Os serviços de notícias dos três canais ditos "generalistas", sem excepção, são cada vez mais divertimento e espectáculo e cada vez menos informação. Desapareceram os comentários inteligentes e informados. Foram-se os especialistas que podem ajudar a compreender. Acabou o recurso a documentação e arquivo que permita colocar os factos em contexto e percebê-los melhor. A explicação serena e fundamentada foi abolida. As notícias internacionais, quando há, foram resumidas a rumores e resumos incompreensíveis, a não ser que se trate de terrorismo, pedofilia ou grande desastre. As notícias deixaram de ter o tempo necessário de reflexão. Os jornalistas fazem cada vez menos a "edição" das "peças", das imagens e das reportagens dos "enviados" e "metem os brutos", isto é, põem no ar as sequências em bruto, tal como chegaram dos "enviados" ou das agências. O"directo" é o maior incentivo à preguiça que se conhece. Dispensa trabalho e reflexão. Não precisa de inteligência ou estudo. É o que existe de melhor como veículo de emoções, até de histerismo. É finalmente o factor de mutação da notícia em espectáculo. É a autorização para não pensar nem investigar. É a troca deliberada, feita pelos editores e pelos jornalistas, de reflexão, do estudo, da investigação e da edição, todo este trabalho que deveriam ser os pergaminhos do jornalismo, pela aparência do imediato, do espectáculo, da concorrência entre canais e do despacho. É o reino das emoções em directo, o contrário mesmo do que deveria ser o bom jornalismo. O "directo" não é a causa primeira, mas é o instrumento de degradação da televisão. É, sobretudo, a destruição da informação e da inteligência.
António Barreto, in "Público", 05.05.2008 (excerto)

Maio 04, 2008

PSD avança com peditório

A crise chega a todos. Um dos dois principais partidos onde os banqueiros, financeiros, patos bravos e empresários de mal afamados se revêem, está nas lonas. O PSD está na bancarrota. Tem uma dívida que ronda os 270 mil euros. Como não conquistou o poder, não tem dinheiro. Daí a célebre frase: poder é dinheiro...em caixa. O pobrezinho partido laranja até pediu para pagar em prestações, tal como como um casal em início de vida. Podia optar em fazer como a Câmara do Porto. Rui Rio leva dois anos a pagar aos fornecedores. Ribau Esteves, esse colosso político de junta de freguesia, até meteu uma cunha mas o Tribunal Constitucional não foi em cantigas. Mas deu um bónus. Paga em 4 vezes, sem juros. Todos nós, pessoas colectivas ou singulares, pagamos juros sempre que pedimos dinheiro "legalmente". Apenas o Estado, quando se atrasa, é que não paga juros. Ao que parece, o PSD também não. Mesmo quando recebe dinheiro ilegalmente. Será que o PSD é o Estado? Há quem diga que a sua extinção coloca em risco a democracia. Duvido. Há um circuito de vasos comunicantes entre a esquerda e a direita. Outros virão e rapidamente ocuparão o espaço. Candidatos não faltam, a qualidade é que escasseia. Mas os responsáveis laranjas por esta situação estão todos bem instalados. Assistem de camarote a tudo isto. Os salários milionários já estão garantidos. Nem mesmo o facto do passivo do PSD rondar os 14 milhões de euros os incomoda. Há quem alvitre associações do PSD à Super Bock ou ao Rock in Rio para sair deste aperto financeiro. Tipo "PSD in Rio". Uma iniciativa de louvar.

A laranja mecânica

O Bar Korova "is the place to be". Alex toma um leitinho com uma pinga de ácido numa mesa do fundo. A seu lado estão os inseparáveis Droogs. Quando saem, cheios de vazio e solidão, atacam um vagabundo debaixo dum viaduto, vagamente parecido com Ribau Esteves. Odeiam vagabundos. Pior que eles só mesmo a gangue comuna de Billy Boy. Para descontrair, roubam um carro e assaltam uma casa. Violam a mulher e agridem o marido brutalmente. Cansado de uma noite de trabalho, Alex regressa a casa. Chega ao céu com a Nona Sinfonia de Beethoven. Quando volta à terra, tem fome de carne humana. Num centro comercial de Isaltino Morais, saca duas bonitonas e atiram-se de cabeça para uma orgia em ritmo acelerado. Exigência de Kubrick. Entretanto, Alex e os Groogs entram em crise de liderança, tipo PSD. Depois da batatada interna, assaltam a casa de uma velhota para aliviar a tensão. Atiram-lhe um pénis gigante de porcelana à cabeça. Coisa de macho e uma critica velada à candidatura de Ferreira Leite. Mas Alex é traído pelos Droogs e apanha 14 anos de prisão. Durante uma visita de um ministro, aceita submeter-se ao "tratamento Ludovico", um método inovador para recuperar delinquentes ou ovelhas laranjas tresmalhadas. Quando sai da cadeia está em plena crise da pós-adolescência política. Leva forte e feio de toda a gente e Beethoven lança-o no abismo. Acorda num hospital. Milagrosamente, todos voltam a ser amigos. Tal como vai acontecer com Manuela Ferreira Leite. Entretanto, um ex-ministro do PSD arranja emprego a Alex. Hoje vende enciclopédias porta a porta para ajudar o partido.

Maio 03, 2008

A imaginação tomou o poder

Marcou definitivamente o século XX. Revelou um surpreendente poder dos jovens, que fez tremer o "establishment". Mostrou que a palavra pode ter mais força do que as armas. "O poder absoluto abusa absolutamente" e "É proibido proibir" são dois exemplos que glorificam a liberdade e apela à luta contra a arbitrariedade. Foi há 40 anos. Cohn-Bendit foi o rosto da revolta. Começou com uma interpelação ao ministro da Educação e terminou com um acordo cujas linhas básicas continuam a servir de base ao modelo social em França. Pelo meio, ocorreu a maior greve geral de sempre na Europa. Nas ruas da "rive gauche", a batalha campal entre estudantes e polícias colocou Paris a ferro e fogo. As imagens que se podiam ver em todas as televisões e jornais do mundo revelavam que era possível colocar a imaginação no poder. Mas era necessário lutar por ela. Os "soixante-huitards" vinham de todas as camadas sociais. Este conjunto bizarro de pessoas acreditou que se podia beijar o céu e partilhar o poder. O sonho não acabou mas foi-se diluindo na espuma dos dias. Mesmo assim, depois de 68 o mundo nunca mais foi o mesmo.

Madonna

Pessoalmente não gosto muito da música de Madonna, mas reconheço é uma sex-symbol importante da pop contemporânea. Mesmo com 50 anos, por incrível que pareça. Sempre à procura de sonoridades novas, Madonna juntou-se desta vez à gangue do rap e do hip-hop, sem perder de vista as sonoridades pop que a caracterizam. Timbaland, Justin Timberlake, Pharrell Williams e Kanye West estão empacotados em ritmos binários no novo trabalho de Madonna. Desde 1985 que não pára de se abanar e revelar segredos carnais, ao mesmo tempo que canta. É a verdadeira artista. Começou com “Like a Virgin” e agora chegou com "Hard Candy". Sexymotherfucker. A loira diz que continua hot e mostra todos os seus atributos para o provar. Quem sou eu para a contrariar.

Maio 02, 2008

O preço do ouro negro

A Autoridade de Concorrência vai analisar os preços dos combustíveis. Espero para ver. Primeiro as gasolineiras fidelizam os clientes com descontos através dos cartões, individuais ou de empresa. Depois formam o preço combustíveis sem observar as regras do mercado. Mesmo com a desvalorização do dólar, nos Estados Unidos o preço dos combustíveis continua muito mais mais barato do que na Europa. Com uma agravante: a unidade de medida norte-americana é o galão, ou seja, 3.78 litros. Nos Estados Unidos pagam por cada galão de gasolina 3,24 dólares (2 euros). Por cá, o litro de gasolina 95 já custa 1.45 euros. A GALP, por exemplo, é um caso típico de uma empresa que vive da especulação. Quando sobe o preço dos combustíveis, a gasolineira só vai pagar o novo preço dois meses depois. Mas o cliente paga logo no dia seguinte porque rapidamente o preço é actualizado. A empresa lucra durante dois meses por um produto que comprou a valores anteriores ao aumento. Com estas subidas e descidas quase diárias já ninguém sabe às quantas anda. Só mesmo as gasolineiras. E aproveitam-se da confusão.

Red Ken Out

Em Londres, Red Ken foi à vida. É a primeira vítima de Gordon Brown, o desalmado líder dos trabalhistas. Até achava piada a Ken Livingstone, um enfant terrible que muito fez por Londres. Mas este resultado não engana. É o pior em quatro décadas e o Labour perdeu mesmo em alguns bastiões tradicionais. Gordon Brown está debaixo de fogo e há dúvidas quanto à sua capacidade de ganhar as próximas eleições gerais. Que se lixe. De qualquer maneira, tenho pena que Red Ken tenha perdido.

Maio 01, 2008

Rock & Roll Wars

Cold electric music
Damage me
Rend my mind
with your dark slumber.

Cold temple of steel
Cold minds alive
on the strangled shore.

Veterans of foreign wars
We are the soldiers of
Rock & Roll Wars.

Jim Morrison

Abril 30, 2008

Metempsicose

Alcove VII
Brian Pawlowski

Ardentes filhas do prazer, dizei-me!,
vossos sonhos quais são, depois da orgia?
Acaso nunca a imagem fugidia
do que foste em vós se agita e freme?

Noutra vida e outra esfera, aonde geme
outro vento, e se acende um outro dia,
que corpo tínheis? que matéria fria
vossa alma incendiou, com fogo estreme?

Vós fostes, nas florestas, bravas feras,
arrastando, leoas ou panteras,
de dentadas de amor um corpo exangue...

Mordei, pois, esta carne palpitante,
feras feitas de gaze flutuante...
Lobas! leoas! Sim, bebei meu sangue!

Antero de Quental
In "Primaveras Românticas e Os Sonetos Completos" 1861